Gerenciamento da Segurança Ex

Por maex • jul 29th, 2010 • Categoria: Segurança

Os processos na indústria do petróleo têm características básicas, como o emprego de substâncias inflamáveis e altas pressões e vazões. Apesar de elevados requisitos para  construção dos equipamentos destinados a esse segmento, o alto índice de acidentes, envolvendo explosões e incêndios, chama a atenção dos estudiosos, não só pelo número de vítimas como pelos prejuízos matérias e danos ao meio ambiente. Alguns desses acidentes estão listados na Tabela I e notícias recentes sobre eventos semelhantes podem ser consultados no site InternEx em www.internex.eti.br .

Tab. I – Acidente em Indústria de Petróleo

Evento

Datas e Prejuízos estimados

Explosão na refinaria da Shell provocou evacuação de 2800 pessoas dos arredores. Saldo de sete mortes e 42 feridos.

05/05/1998: Norco Louisiana (EUA)

US$ 706 milhões

Explosão na plataforma Piper Alpha matou 167 tripulantes. Foi considerado o maior desastre offshore, tanto pelo número de vítimas quando pelo impacto na indústria.

06/07/1988: Mar do Norte

US$ 3,4 bilhões

Explosão na terceira maior refinaria americana, que processava 433 mil barris de petróleo por dia,pertencente à BP, resultou na morte de 15 pessoas e ferimentos em mais de cem.

23/03/2005: Texas (EUA)

US$ 4 bilhões

 

Explosão no depósito de combustíveis Hertfordshire Oil Storage Terminal provocou a destruição de diversos prédios do condomínio industrial da cidade e felizmente não resultou em fatalidades.

11/02/2005: Inglaterra

US$ 1 bilhão

Nesse segmento industrial, as regiões com possibilidade de formação de atmosferas explosivas são chamadas de áreas classificadas e necessitam ser devidamente identificadas. Desta forma, poderão ser especificados os equipamentos elétricos e eletrônicos adequados a essas áreas, e elaborados os procedimentos específicos que garantirão a execução segura dos serviços programados.

Todos os equipamentos elétricos e eletrônicos para uso em áreas classificadas (também conhecidos como equipamentos Ex) devem atender ás disposições da Portaria Inmetro 83/2006, que estabelece requisitos inclusive para os equipamentos importados.

Porém, não apenas os equipamentos elétricos são considerados fontes de ignição. Por isso, os países da União Européia adotaram a diretriz ATEX 137, que estabelece a obrigatoriedade de elaboração de documentos sobre prevenção de explosões, abordando classificação de áreas, orientação aos trabalhadores quanto aos riscos envolvidos nos processos, medidas preventivas e planos de emergência.

Todos concordam que um plano de treinamento é fundamental para a segurança de uma planta industrial, e em áreas classificadas esse tema ganha ainda mais importância.

Uma pesquisa realizada há poucos anos apontou que alguns empregadores selecionam os instaladores Ex com base apenas na relatada experiência anterior, dispensando a verificação afetiva das citadas qualificações. Cabe ressaltar que alguns aspectos de segurança da instalação Ex são totalmente dependentes do conhecimento técnico do instalador, como, por exemplo, a selagem de eletrodutos.

Como as instalações Ex necessitam ser executadas dentro dos requisitos das normas, entende-se que a seleção de instalações baseada apenas na experiência anterior é falha. Isto porque a cada edição a norma surgem novos requisitos, até mesmo invalidando práticas anteriores, como ocorreu na NRB IEC 60079-14: 2006.

Desta forma um plano de treinamento que preveja a atualização dos profissionais responsáveis por instalações Ex com as novas edições das normas de instalação e manutenção em equipamentos Ex, além de estar alinhado com a certificação Isso 9001 – que hoje muitas empresas possuem -, visa eliminar o tempo gasto com retrabalhos e garantir a segurança da unidade industrial.

Estellito Rangel Júnior
Engenheiro Especialista
Representante do CB-3/ABNT na IEC/TC-31
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